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Da Mota retrata, em suas telas, a natureza reconstituída pelo homem.
Durante o seu aprendizado técnico foi direcionado a compreender os fundamentos da pintura clássica, embasadora de todos os ramos dessa arte.
Contudo, desde cedo, se voltou para a natureza, com seu verde original fragmentado pelo "grisado" do concreto humano.
O verdadeiro artista retrata, continuamente, o seu mundo interior. Dessa forma, a obra de arte é, sempre, um auto-retrato.
Ingênua seria pensar, a essa altura, que o artista se sente uma árvore porque a representa, continuamente, em suas telas. Ao contrário, essa mesma árvore, representa um símbolo inconsciente do artista, que flora na obra, como um grito, antes contido.
DA MOTA é um ser urbano, mas sua obra não retrata a "Urbis" (a cidade, numa tradução rota do termo latino). No íntimo desse artista fervilham hipóteses sobre a natureza do mundo exterior e sua efetiva relação com o mundo interior, psíquico, do ser humano.
Desse intenso caldo cultural impossível seria a esse artista retratar a realidade exterior de forma ingênua, pura, expontânea, primitiva ou "naif", como se diria tecnicamente.
DA MOTA aprendeu os cânones da pintura clássica e passou, espontaneamente, a representar a realidade exterior de uma forma racional, intelectiva, condizente com sua época. Sem estudar os movimentos sucessivos da arte, fixou sua expressão na forma do realismo Pop, surgido no final dos anos 60.
A Pop Arte denuncia o consumismo, sem o aceitar ou refutar. Surgiu no intermédio dos anos 50 e passou por fases sucessivas até atingir o realismo fotográfico, o "hiper-realismo" ou "neo-realismo", a realidade exterior vista pela ótica fria de uma camêra fotográfica.
DA MOTA não percorreu os movimentos anteriores da "Pop Art", mas atingiu, pleno, a condição última do movimento, representando a natureza como se, no dizer do Salvador Dalí, estivesse a fazer, com a mão, uma fotografia.
Eu, Marco A. Rossi e Levy Pinotti, na condição de transmissores do conhecimento básico de pintura, assistimos a sua evolução expontánea, até a expressão de seu conceito do mundo, na forma "hiper-realista".
Julgamos que isso já era inato do artista. Fomos, apenas, o instrumento de uma realização.
E, hoje, sua obra é irrepreensível. Observar uma tela de DA MOTA e observar o motivo "in-loco" é diferente apenas no aspecto de perenidade do momento fugaz. A imagem captada "in-loco" vai para o arquivo de memória, enquanto que a imagem captada por DA MOTA permanece viva, pulsante, na parede de um colecionador.
Marco A. Rossi
Artista plástico e professor
de desenho e pintura